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BC reduz juro para 6,75%, o menor da história, e sinaliza fim do ciclo de cortes
08.02.2018   O Estado de S. Paulo
Notícia - Imprensa
Política monetária. Depois de 11 reduções seguidas na taxa básica de juros, o Banco Central indicou, ontem, que a Selic deve permanecer neste patamar; na avaliação de economistas, o BC pode rever essa posição com a aprovação da reforma da Previdência

Fabrício de Castro
Eduardo Rodriguesl brasília

O Banco Central anunciou ontem o 11. 0 corte consecutivo dos juros básicos da economia. A taxa Selic caiu 0,25 ponto porcentual e passou de 7,0% para 6,75% ao ano - o menor nível desde sua criação em 1996. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, responsável pela decisão, também indicou que o mais provável é que o movimento de ontem tenha sido o último do atual ciclo de cortes da taxa básica. Uma nova redução pode ocorrer em março apenas se o cenário melhorar. Para economistas, a aprovação da reforma da Previdência seria um dos fatores para isso.

Desde o ano passado, o BC vinha indicando que pararia de reduzir a taxa básica de juros, que serve de parâmetro para o custo de empréstimos. Mesmo com a Selic no menor patamar em duas décadas, os juros bancários seguem em níveis elevados para padrões internacionais. A taxa média cobrada em operações de crédito no Brasil no ano passado foi de 25,6% ao ano. A do rotativo de cartão de crédito chegou a 334,6% ao ano e a do cheque especial a 323% ao ano.

A pausa nos cortes da Selic se deve a dois fatores. A inflação, apesar de controlada, deve acelerar em 2018 e 2019, com o reaquecimento da economia. Depois de ter fechado em 2,95% no ano passado, o índice oficial de inflação ficará em 4,2% neste ano e no próximo, conforme as projeções mais recentes do BC.

Outra preocupação está ligada ao andamento das reformas, em especial a da Previdência. Em função do calendário eleitoral, a votação da proposta no Congresso pode ficar para 2019, o que é malvisto pelo BC. O presidente da instituição, Ilan Goldfajn, vem defendendo o reequilíbrio das contas da Previdência para permitir a queda da taxa de juros.

O Copom foi claro, ontem, ao sinalizar que a Selic, agora em 6,75%, tende a permanecer nesse patamar em 2018. O colegiado afirmou que, para a reunião de março, se o cenário econômico se desenvolver como esperado, será "mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária (corte de juros)".

No entanto, a instituição deixou aberta a possibilidade de rever essa posição e promover um corte adicional da Selic em março, para 6,50% ao ano. De acordo com o BC, isso ocorrerá "caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos". Na prática, até 21 de março, quando ocorre a próxima decisão sobre a Selic, um dos fatores que podem contribuir para a melhora do cenário é justamente a aprovação da reforma da Previdência no Congresso. "Se uma reforma como foi apresentada antes tivesse sido aprovada, o ciclo de cortes não teria acabado agora", disse a economista Tatiana Pinheiro, do banco Santander.

O BC também mencionou ontem, indiretamente, o estresse nas bolsas americanas na segunda-feira, que teve reflexos no Brasil. Para a instituição, "apesar da volatilidade recente das condições financeiras nas economias avançadas", o cenário externo tem se mantido favorável.

O presidente Michel Temer comemorou a decisão do BC nas redes sociais, afirmando que "o governo fez o dever de casa e criou as condições para o Banco Central cortar os juros". / COLABORARAM CAIO RINALDI E SIMONE CAVALCANTI
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