O surgimento do conceito de urbanismo sustentável marca um ponto de virada na forma como as cidades devem ser planejadas e construídas. Consolidado globalmente por meio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente o ODS 11, que visa tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, e pela Nova Agenda Urbana, o urbanismo sustentável busca soluções para os desafios ambientais e sociais do século XXI.
A ideia de adensamento urbano tornou-se um consenso entre urbanistas e planejadores como uma estratégia-chave para a sustentabilidade. Ao contrário da expansão do espraiamento (o sprawl), que gera dependência de automóveis, poluição e destruição de áreas naturais, o adensamento concentra pessoas e atividades em um espaço menor.
Suas principais vantagens são a eficiência de recursos — o adensamento torna a infraestrutura urbana (transporte, água, saneamento, energia) mais eficiente e economicamente viável —, a redução da pegada de carbono — com a proximidade de moradia, trabalho e serviços, as pessoas tendem a caminhar, pedalar ou usar transporte público, diminuindo as emissões de gases de efeito estufa.
Incluem ainda a vitalidade social — cidades mais densas podem ter uma vida pública mais rica, com maior interação social e um senso de comunidade mais forte —, e a preservação ambiental — ao concentrar o desenvolvimento, o adensamento preserva áreas verdes e de conservação nas periferias.
Para garantir que os novos projetos sigam os princípios do urbanismo sustentável, surgiram selos de certificação, tais como Aqua-HQE, BREEAM, CASBEE e o Selo Azul da Caixa Econômica Federal. Esses selos funcionam como guias e ferramentas de avaliação, reafirmando a importância de práticas como o adensamento para obter a pontuação necessária.
O LEED for Neighborhood Development (LEED ND) é um dos exemplos mais proeminentes, avaliando o desempenho de bairros inteiros. Ele recompensa projetos que promovem densidade e conectividade.
O LEED ND usa referências de adensamento, como densidade residencial. Projetos devem buscar uma densidade mínima de cerca de 10 unidades residenciais por 1.000 m² (de terreno) para pontuação mínima; 13 unidades por 1.000 m² para pontuação média e 19 unidades por 1.000 m² para pontuação máxima, incentivando comunidades compactas com edifícios de apartamentos.
Já a densidade não residencial utiliza o Floor Area Ratio (FAR), equivalente ao coeficiente de aproveitamento, que deve ser de 2,25 ou superior, indicando que a área construída deve ser significativamente maior que a do terreno, promovendo a verticalização e o uso eficiente do solo.
A verticalização, uma das formas de se obter adensamento, apresenta vantagens particulares em climas quentes como o da Grande Vitória.
Um bom projeto pode trazer benefícios como melhora da ventilação — edifícios mais altos podem ser projetados para aproveitar os ventos predominantes em altitudes maiores, favorecendo a ventilação cruzada nos apartamentos. Um projeto inteligente pode usar aberturas e varandas para canalizar o fluxo de ar, enquanto a ocupação de um lote por edifícios mais altos e esguios, em vez de vários blocos baixos e próximos, pode liberar mais espaço no nível da rua para circulação do ar.
Sombreamento Estratégico: A altura e o posicionamento dos edifícios podem ser planejados para gerar sombra nas calçadas e praças em horários de pico de calor, tornando o ambiente externo mais agradável e caminhável.
Mais Áreas Verdes: Em vez de ocupar o terreno inteiro com construções baixas, a verticalização libera mais espaço no nível do solo para áreas verdes, praças, jardins e espaços de lazer. Essas áreas não só melhoram a qualidade de vida, mas também contribuem para a redução das "ilhas de calor" urbanas, pois a vegetação ajuda a regular a temperatura local.
Eduardo Borges é diretor de Economia e Estatística no Sinduscon-ES, engenheiro civil e mestre em Arquitetura e Urbanismo
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