O setor da construção avalia com cautela a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15%. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (28), ao término da primeira reunião do colegiado em 2026, confirmando a continuidade de uma política monetária restritiva.
Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, o cenário de juros altos limita tanto a demanda por imóveis quanto a capacidade das empresas de viabilizar novos projetos. Segundo ele, o impacto vai além do crédito habitacional e atinge toda a cadeia produtiva do setor.
“Uma política monetária contracionista encarece o crédito imobiliário, reduz a demanda por novos empreendimentos e desacelera a atividade da construção. Juros altos aumentam os custos, restringem o acesso ao financiamento e afetam a confiança dos investidores”, afirmou.
A construção é um dos setores mais sensíveis à taxa de juros, por depender de financiamentos de longo prazo e por ter forte efeito multiplicador sobre o emprego e a renda. A avaliação é de que os efeitos podem se estender até 2026, mesmo com a expectativa de maior disponibilidade de recursos para o financiamento imobiliário. “É necessária uma trajetória de queda dos juros como condição para uma retomada mais consistente da atividade econômica”, complementou o presidente da CBIC.
A prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15 e divulgada pelo IBGE, referente ao mês de janeiro, ficou em 0,20%, o que corresponde a redução de 0,05 ponto percentual em relação à prévia do último mês do ano 2025.
Esse resultado ficou abaixo do que era aguardado pelos analistas (0,23%) e demonstra uma inflação mais comportada. Também é importante destacar o recuo que vem sendo observado no dólar. “Com a economia em desaceleração e inflação mais contida espera-se efetivamente a redução da Selic”, afirma Ieda Vasconcelos, economista da CBIC.
“Importante ressaltar que a queda consistente no custo do crédito certamente poderá incentivar os investimentos produtivos, incluindo os lançamentos de empreendimentos no mercado imobiliário. Isso ampliaria o acesso a casa própria e estimularia toda a cadeia produtiva da construção, o que corresponderia a um círculo virtuoso na economia com a maior geração de renda e riqueza”, completa Vasconcelos.