Com 18,9 mil unidades em construção em janeiro de 2026, o mercado imobiliário da Grande Vitória atingiu o maior volume de obras em execução desde novembro de 2015, segundo o Censo Imobiliário do Sinduscon-ES. O levantamento abrange 75 construtoras e incorporadoras nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana.
Na série histórica do Censo, o volume de obras atingiu seu auge em maio de 2012, com 36,4 mil unidades em execução. A partir daí, o ritmo de entregas superou o de novos lançamentos, e o estoque de obras recuou continuamente.
Em 2020, o número de unidades em construção era pouco acima de 10 mil, uma queda de mais de 70% com relação ao pico. Porém, nos próximos seis anos, esse volume quase dobrou, com crescimento próximo de 90%.
O movimento é contra intuitivo. No início de 2020, a Selic estava em 4,25% (chegaria a 2% pouco depois) e hoje está em 14,75%. Juros mais altos encarecem o financiamento para incorporadores e reduzem o apetite do consumidor. Ainda assim, os dados apontam na direção oposta.
A taxa de venda sobre oferta (VSO) (que mede quanto do estoque disponível é absorvido pelo mercado em um ano) avançou de 20,3% para 37,4% entre 2020 e 2026 no segmento residencial de médio-alto padrão em Vitória. Em Vila Velha, a absorção do mesmo segmento subiu de 28,6% para 32,7% no período.
"O que sustenta esse crescimento, mesmo em um cenário de juros mais altos, é uma mudança estrutural no mercado. Hoje, existe uma demanda mais qualificada, especialmente no médio e alto padrão, que não está pautada apenas no custo do crédito, mas na busca por qualidade de vida, localização e projetos com identidade. Ao mesmo tempo, o setor amadureceu - os lançamentos são mais criteriosos e alinhados à demanda real. Soma-se a isso uma oferta ainda limitada de empreendimentos verdadeiramente diferenciados, o que mantém o mercado ativo e consistente", avalia Breno Peixoto, CEO da Nazca.
A valorização dos imóveis no período também foi expressiva, segundo o Censo do Sinduscon-ES. Em Vitória, o preço médio de apartamentos de dois quartos passou de R$ 7,8 mil/m² em 2020 para R$ 15,6 mil/m² em 2026. Em Vila Velha, a alta foi de R$ 5,2 mil/m² para R$ 14,3 mil/m².
Na tipologia de quatro quartos, o crescimento foi ainda mais acentuado: de R$ 10 mil/m² para R$ 22,7 mil/m² em Vitória, e de R$ 10,7 mil/m² para R$ 19,9 mil/m² em Vila Velha - ambos no mesmo intervalo de seis anos.
"O que sustenta esse movimento é uma combinação de pleno emprego, crédito disponível e crescimento da renda. Em praças como Vitória, a escassez de oferta continua pressionando a velocidade de vendas e estimulando novos lançamentos", analisa Luiz Henrique Stanger, diretor executivo da Lopes Dynamo.
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