A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considera positiva a nova redução da taxa Selic anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que passou de 14,75% ao ano para 14,50% ao ano. Trata-se da segunda queda consecutiva da taxa básica de juros, em um cenário ainda marcado por fortes incertezas internacionais, pressão inflacionária e elevada volatilidade econômica.
“A pequena redução na Selic demonstra que o referido colegiado está preocupado com o ambiente econômico mais instável. A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã não demonstra expectativa de término e o cenário mundial segue oscilando diante de cada decisão sobre esse conflito”, aponta Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.
Apesar do movimento de redução, a taxa de juros permanece em um patamar extremamente elevado para a realidade da economia brasileira e continua sendo um dos principais entraves ao avanço do investimento produtivo no país. Juros altos desestimulam a expansão da atividade econômica, limitam novos projetos, encarecem o crédito e direcionam recursos para o mercado financeiro em detrimento do setor produtivo.
A construção, setor estratégico para o desenvolvimento nacional, sente diretamente os efeitos desse cenário. O ambiente de juros elevados compromete a capacidade de expansão do setor e reduz o ritmo dos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do país.
A CBIC considera que o Brasil precisa atingir patamares de investimento mais próximos da média global, de 25,6%, mas o percentual ficou em 16,8% no ano passado. Esse cenário evidencia a necessidade de políticas econômicas que estimulem o investimento produtivo e garantam condições mais favoráveis para a retomada do crescimento sustentado.
Embora a inflação continue exigindo atenção é fundamental que o país avance gradualmente para um ambiente de juros mais compatível com suas necessidades de desenvolvimento.
A continuidade do ciclo de redução da Selic é importante, mas o Brasil precisa acelerar a construção de um cenário macroeconômico que favoreça o investimento, a produção e a competitividade. A construção seguirá contribuindo de forma decisiva para esse processo, desde que existam condições adequadas para ampliar os investimentos e impulsionar o crescimento econômico sustentável.